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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ÉTICA ESPÍRITA, ENTRADA FRANCA SEMPRE!...  POR QUE NÃO?
Após proferir palestra no Centro Espírita, cujo tema nos induziu a afirmar para o público sobre o delírio da cobrança de taxas para entrada no congresso “espírita”, programado pelo órgão federativo local, um amigo sugeriu-nos a leitura do “Projeto de Interiorização”- Espiritismo para os simples. (1) Procuramos conhecer o projeto, lemos e apreciamos bastante as diretrizes e planos ali consignados.   O confrade também indicou-nos o artigo “União com fidelidade, simplicidade e fraternidade” do admirável Antonio César Perri de Carvalho, Diretor da FEB. Encontramos o artigo na Revista Reformador; analisamos o texto e ficamos entusiasmados com os dizeres do representante da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional. O excelente artigo, dentre outras reflexões audaciosas, inspira-nos para o imperativo da “unidade do espírito pelo vínculo da paz”. (2)
César Perri ilustra o tema afirmando que “entre os desafios atuais para a união dos espíritas (...)há necessidade de revisão de algumas estratégias e posturas, para se ampliar a difusão do Espiritismo em todas as faixas etárias e sociais. (...) entendemos que o acolhimento dos simples [espíritas desempregados,  iletrados, pobres] no ambiente das reuniões espíritas é tarefa de primordial importância nos tempo em que vivemos.”(3) 
Para o Diretor da FEB “a realização de eventos federativos e de divulgação devem ter como parâmetros o que é simples e viável para a maioria das instituições e dos espíritas.” (4)(grifei)
O tema é recorrente e crônico. É flagrante a marginalização de confrades valorosos que, devido à impossibilidade de arcar com os escorchantes  preços dos eventos espíritas, ficam e continuarão a ficar excluídos dos congressos espíritas, como os que têm sido realizados ultimamente por diversas federativas estaduais e mesmo pela Casa Mater. Após 36 anos escrevendo para imprensa espírita e alertando sobre a discrepância  dos eventos pagos, confessamos que o Perri pacificou-nos o ânimo com as suas judiciosas e lúcidas palavras. E, mais, advindo de um confrade de envergadura moral irrepreensível como é o caso do Perri, acreditamos que o Movimento Espírita brasileiro mudará de rota no Brasil e no Mundo.
À guisa de sugestão , considerando a viabilidade de participação nos eventos doutrinários da maioria das instituições e dos espíritas, propomos aos abastados  seguidores de Kardec  abrirem mão do excesso da conta bancária  e colaborem mais frequentemente com o Movimento Espírita.  Poderiam bancar vários eventos doutrinários sem consentir que espíritas simples fossem excluídos dos congressos, seminários e encontros. Portanto, sem ferir a ótica e a ética espíritas, saberiam utilizar com inteligência os recursos que Deus concede, fugiriam da avareza, seriam pródigos no amor, conscientizar-se-iam da imensa responsabilidade social e colaborariam para fazer do Espiritismo o mais importante núcleo de debates espirituais da Terra...
Modelo de mecenas (5) não falta! “O empresário carioca Frederico Figner, proprietário da Casa Edison e introdutor do fonógrafo no Brasil, era um deles. Tão rico quanto espírita, ele trocou cartas com Chico Xavier 17 anos seguidos. E o ajudou muito. Sem suas doações, o datilógrafo da Fazenda Modelo não conseguiria atender tanta gente. A cada mês, o filho de João Cândido gastava o correspondente a três vezes o seu salário só com assistência social. Para Chico, os ricos deveriam ser considerados “administradores dos bens de Deus”. Ao longo de sua vida, ele ajudaria muitos milionários “benfeitores” a canalizar os “tesouros divinos” para a caridade.”(6)
O editorial da revista "O Espírita", de jan/mar-93 registra que  "a fé começa nos lábios, obrigatoriamente passa pelo bolso, para se instalar no coração".(7)  Sabemos que a divulgação doutrinária é urgente mas não apressada. Portando, não identificamos necessidade nenhuma para o afoitamento e desespero das federativas promoverem improfícuos festivais de congressos, seminários e simpósios onerosos. Jamais esqueçamos que “é indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec: sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.” (8)
Os congressos espíritas são importantes  para a vitalidade do movimento espírita, para a permuta de experiências e o congraçamento entre pessoas. Mas, francamente! O frenesi para realização de congressões espíritas dispendiosos têm revigorado o status, o personalismo e a vaidade de muitos líderes incautos. Jesus nos ensinou a condenar o erro, preservando a quem erra. Mas, até mesmo Ele, que era um exemplo de brandura, atuou com austeridade, com muito rigor, aliás, quando a expelir os vendilhões do Templo.
Não condenamos e nem poderíamos desaprovar os Congressos, Simpósios, Seminários, encontros necessários à divulgação e à troca de experiências, mas, a Doutrina Espírita não pode ficar cerrada nos Centros de Convenções suntuosos, não se pode enclausurar  Espiritismo nos excludentes anfiteatros acadêmicos e nem aprisioná-lo em grupos fechados. À semelhança do Movimento Cristão, dos tempos apostólicos, A Doutrina dos Espíritos também pertence aos Centros Espíritas simples, localizados nos bolsões de desventura, nos assentamentos, nas favelas, nos bairros miseráveis, nas periferias urbanas esquecidas; e não nos venham com a eloqüência oca de que estamos sugerindo um tipo de “elitismo às avessas”.  O que fortalece nossas assertivas são os muitos Centros Espíritas simples e pobres, todavia bem dirigidos em vários municípios do País. Por causa desses Núcleos Espíritas e médiuns humildes, o Espiritismo haverá de se manter simples e coerente, no Brasil e, quiçá, no Mundo, conforme os Benfeitores do Senhor o entregaram a Allan Kardec.
E por falar no mestre lionês, precisamos de “Allan Kardec nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que à nossa fé não se faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento. Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, à nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.” (9)
Jorge Hessen - http://jorgehessen.net
Referências bibliogrráficas
1)isponível em: http://www.febnet.org.br/ba/file/CFN/Projeto_interiorização.pdf
(2)Xavier, Francisco C. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: FEB, 2010. Cap. 49, pg.116
(3)Carvalho, Antonio C. Perri. Artigo “União com fidelidade, simplicidade e fraternidade” publica do em Reformador, abril, ano 2011 pags. 29,30 e 31
(4)idem
(5)O termo mecenas, nos países de línguas neolatinas, indica uma pessoa dotada de poder ou dinheiro que fomenta concretamente a produção de certos literatos e artistas. Num sentido mais amplo, fala-se de mecenato para designar o incentivo financeiro de atividades culturais, como exposições de arte, feiras de livros, peças de teatro, produções cinematográficas, restauro de obras de arte e monumentos.
(6) Maior, Marcel S. As vidas de Chico Xavier, São Paulo: Editora Planeta, 2003
(7)Editorial da revista "O Espírita" de Brasília edição de jan/mar-93
(8)Bezerra de Menezes, trechos da mensagem “Unificação”, Psic. F. C. Xavier – Reformador, dez/1975 - FONTE: CEI - Conselho Espírita Internacional.
(9 Idem

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A PEÇONHA DA LÍNGUA, ANTE OS TRÊS FILTROS SOCRÁTICOS


Jesus advertiu sobre a contaminação oriunda das substâncias que saem da boca humana. Quem promove a disseminação da maledicência, invoca o distúrbio para si mesmo. Por isso, urge vigiar e domar o vício do falatório, do comentário maldoso – por que não dizer: “fofoca”? Quem se afirme espírita, não pode esquecer que os censores do comportamento alheio acabam, quase sempre, praticando as mesmas ações censuradas.

Lamentamos o clima de comprovada invigilância deixada pelas peripécias do ânimo impiedoso dos caluniadores, com suas mentes doentias, sempre às voltas com a emissão impetuosa do fuxico generalizado. Confrades, esses, que engendram entusiasmos íntimos, ante as dificuldades e eventuais deslizes do próximo. Assestam a volúpia da detração, com acusações infames, de realidades que desconhecem em profundidade, sempre em direção das angústias e lutas íntimas dos que tentam se erguer de um erro cometido.

Comprazem-se no mexerico e na satisfação de verem um irmão sofrendo uma experiência mais difícil. Dissimulam, no velho chavão "vamos orar por eles!!", o aguçamento dos quesitos de suas perfídias.

Esquecem-se que o falatório induz à fascinação, secundando o desequilíbrio emocional, impelindo-os aos processos obsessórios. Muitos irmãos lhes são alvo de açodadas e contundentes críticas, onde os princípios evangélicos são arremessados para as calendas. Se praticassem o bem, escutariam, no recesso da consciência, a advertência inserta no cap. 1, versículo 26, de Tiago: “Se alguém cuida ser religioso e não refreia sua língua, sua religião é vã". (grifamos)

O Apóstolo dos gentios registra, aos romanos, a seguinte admoestação: “Sua garganta é um sepulcro aberto; com a sua língua trata enganosamente, peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios.” (grifamos)

Certo orador, médium psicofônico, gostava de trabalhar em um determinado Centro. Realizava todas as suas tarefas doutrinárias com tal cuidado, com tal senso de responsabilidade, que não tardou ser eleito Dirigente de um Departamento da instituição. Novos desafios a vencer, algumas coisas para aprender, outras tantas para reformular... Ao final de uma etapa de trabalho, foi visitar o Presidente do Centro. Após breve diálogo, apresentou seu Relatório das atividades. O Presidente agradeceu e já ia abrindo, quando o novo Dirigente do Departamento começou a falar:

- Sr. Presidente, tenho que fazer algumas modificações na minha equipe de colaboradores, porque o Assistente que me indicaram, imagine o Sr, contaram-me...

Antes que terminasse a frase, o Presidente, lembrando o filósofo Sócrates, interrompeu:

- Espere um pouco, meu irmão. O que pretende me contar, já passou pelos três filtros?

- Filtros! Que filtros, Presidente?

- Primeiro, o filtro da VERDADE. Você tem certeza de que esse fato é, absolutamente, verdadeiro?

- Não, não tenho. Como posso saber? O que eu sei é o que me contaram. Mas eu acho muito grave que...

O Presidente interrompe novamente:

- Então, a sua história já perdeu substância, ou seja, não passou no primeiro filtro.

- É... mas...

- Vamos para o segundo filtro, que é o da BONDADE. O que você deseja me informar, traz algum benefício a alguém? Você gostaria que dissessem o mesmo a seu respeito?

- Claro que não, Presidente, Deus me livre! Nem poderiam falar uma coisa dessas de mim, que sou...

- Então, meu filho, sua história fica um pouco mais fraca, porque não passou no segundo filtro, por suas próprias palavras.

- Porém, ainda resta o terceiro filtro, que é o da NECESSIDADE. Você acha, mesmo, que há necessidade de me contar o que pretende? Esta história – que ignoro - sobre o seu Assistente, que é seu confrade de fé, seu companheiro de trabalho, merece ser comentada, ou você pretende conquistar público que o aplauda, ao comentá-la? Pense bem, meu caro. Uma vez tenha, eu, tomado ciência de algum fato que me obrigue a agir, visando o bem da Instituição e de todos, tenha certeza de que não hesitarei em tomar as providências cabíveis.

- Não!... Sr. Presidente, passando pelo crivo destes três filtros, concluo que nada sobra do que eu iria lhe falar, diz o Dirigente, surpreso consigo mesmo.

As pessoas seriam mais felizes se todas utilizassem esses três filtros, antes de divulgarem suas suspeitas a respeito de alguém. Antes de obedecerem ao impulso da difamação, reflitam, porque serão, inexoravelmente, reconhecidos desta forma, ou seja, como cruéis difamadores.

Quando não filtramos nosso parecer a respeito do próximo, é evidente que os elementos psíquicos que verbalizamos são potencialidades que atuam contra nós mesmos. Do campo mental aos lábios, podemos manter absoluto controle. Um pensamento negativo pode ser substituído, de imediato, ao passo que a palavra solta é sempre um instrumento ativo em circulação. Não se pode, nesse contexto, compreender uma atitude espírita conivente com um comportamento que é atentatório ao conteúdo moral do Espiritismo.

Aos devotos da fuxicaria contumaz, os impertinentes ajuizadores de valores morais alheios, atentemos para uma lição de Chico Xavier: “Numa viagem de mil quilômetros, não nos podemos considerar vitoriosos senão depois de chegarmos à meta almejada, porque nos dez últimos metros, a ponte que nos liga ao ponto de segurança pode estar caída e não atingiremos o local para onde nos dirigimos.”

Finalmente, não esqueçamos que a palavra constrói ou destrói facilmente e, em segundos, estabelece, por vezes, resultados gravíssimos para séculos.

Jorge Hessen (20.06.06)
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net

domingo, 2 de novembro de 2008

O ESPIRITISMO VEIO PARA O POVO COM ELE DIALOGAR


Quando pensamos nos milhares de espíritas de pouca cultura, humildes e materialmente pobres, porém verdadeiros vanguardeiros da Terceira Revelação; quando imaginamos que o edifício doutrinário se mantém firme em face do amor desses lídimos baluartes do Evangelho, impossível não nos entristecermos quando se trombeteia em nossas hostes os excesso de consagração das elites culturais.

“A presença do elitismo nas atividades doutrinárias (...) vai expondo-nos a dogmatização dos conceitos espíritas na forma do Espiritismo para pobres, para ricos, para intelectuais, para incultos(...)”(1)

Chico Xavier já advertia em 1977, “É preciso fugir da tendência à ‘elitização’ no seio do movimento espírita(...)o Espiritismo veio para o povo. É indispensável que estudemo-lo junto com as massas mais humildes social e intelectualmente falando e deles nos aproximarmos(...)Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo, às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais(...)” (2)

Acompanhamos com muita reserva o surgimento de várias associações de: jornalistas, psicólogos, pedagogos, escritores, magistrados, médicos. Esse espírito corporativista é inaceitável sob a ótica cristã. Aliás, corporações essas que promovem elegantes eventos (quase sempre cobrando-se taxas de inscrição) para aguçar a vaidade de alguns confrades que não perdem a oportunidade de atrair para si os holofotes da “fama”.

Os eventos gratuitos devem ser realizados, obviamente, porém urge considerar que esses simpósios sejam estruturados sobre programação aberta a todos e de interesse da doutrina, não para ser uma ribalta de competição para intelectuais com titulação acadêmica, como um “passaporte” para traduzirem “melhor” os conceitos kardecianos.

Caso contrário, consigna o editorialista da Revista O Espírita, “Chico Xavier, Divaldo Franco, tanto quanto no passado Lèon Denis, que era caixeiro-viajante, não poderiam participar desses conclaves, sob pena de se sentirem desambientados e constrangidos, por não terem titulação conferida pelas universidades do mundo. Para não falarmos do próprio Cristo, que não passou da condição de modesto carpinteiro”.(3)

Sinceramente, não conseguimos compreender o Espiritismo, sem Jesus e sem Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.

É ainda Chico Xavier que ensina: “Por mais respeitáveis os títulos acadêmicos que detenhamos, não hesitemos em nos confundir na multidão para aprender a viver, com ela, a grande mensagem. (...)”. (4)

Reenfatizamos as admoestações de Chico Xavier, “Precisamos conversar desapaixonadamente sobre o nosso movimento. É preciso que nós, os espíritas, compreendamos que não podemos nos distanciar do povo. É preciso fugir da tendência à "elitização" no seio do movimento espírita. É necessário que os dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores, (5) compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto com as massas, que amemos a todos os companheiros, mas sobretudo, aos espíritas mais humildes social e intelectualmente falando e deles nos aproximarmos com real espírito de compreensão e fraternidade. Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas apenas falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais e confrades de posição social mais elevada. Mais do que justo evitarmos isso, a "elitização" no Espiritismo, isto é, a formação do "espírito de cúpula", com evocação de infalibilidade, em nossas organizações”.(6)

Portanto, devemos buscar pela simplicidade doutrinária evitar tudo aquilo que lembre castas, discriminações, evidências individuais, privilégios injustificáveis, imunidades, prioridades. Que repensemos as associações de profissionais A,B,C...

Aliás, amigo leitor, você conhece alguma associação espírita de carpinteiros, marceneiros, lavadeiras, passadeiras, garis, pedreiros, serventes?

Jorge Hessen - (24.02.06)
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net

FONTES:
1- Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90.
2- Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.
3- Editorial da Revista O Espírita, ano 11 numero 57-jan/mar/90.
4- Cf. Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977, e publicada no Livro intitulado Encontro no Tempo, org. Hércio M.C. Arantes, Editora IDE/SP/1979.
5- Fazemos uma justa ressalva para preservar a Federação Espírita Brasileira, que tem orientado de forma grandiosa como as federativas estaduais devem proceder. Lamentavelmente essas que se perdem muitas vezes nos labirintos das promoções de shows de elitismo. Patrocinam eventos para espíritas endinheirados, e cobram taxas e se perdem na sua tarefa unificacionista. Conhecemos federativa que chega a gastar R$. 100.000,00 (cem mil reais) para promover evento para 5.000(cinco mil) pessoas como se o Espiritismo necessitasse desses eventos “grandiosos”. Precisamos retornar à simplicidade doutrinaria, conforme nos advertiu Bezerra de Menezes através de Ivone Pereira.
6- Idem

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

CONSELHEIROS E CRÍTICOS DE OCASIÃO (*)


Entre o falar e o agir é inquestionável que há uma longa distância. Quando somos mais jovens e temos anseios espirituais, as palestras, as conversas cristãs sempre calam com mais profundidade nos corações imbuídos da sinceridade espírita.

Buscamos diretrizes seguras para caminharmos, muitas tertúlias ficaram indeléveis em nossas memórias, a fim de servirem de nortes e bases seguras para decisões ulteriores.

Ouvíamos muitos conselhos enérgicos quanto à educação dos filhos. Nada de condescendência, porque aí residia o perigo para uma formação distorcida a se manifestar no porvir. Filhos mimados e sem limites beiravam a marginalização. Claro, não podíamos contestar, à época, tão oportunas advertências, até porque os filhos são investimentos espirituais da maior envergadura.

O tempo - esse sábio orientador-, que nos ensina hoje e sempre que não devemos brincar de viver, nos ratificou que a teoria é bela, mas a prática é por demais grandiosa.

O tempo tem se incumbido de expressar com fidedignidade o resultado das incisivas admoestações de antanho. Entre o falar e o agir, entre o propor aos outros, descuidados dos seus, alguma coisa faltou na formação dos filhos de muitos conselheiros impulsivos, até porque muitas vezes a prole acaba por espelhar os valores eivados pelo modismo contemporâneo.

Desde a tatuagem fincada no corpo, passando pelo cabelo à moda punk, tangendo pelas cervejinhas "inofensivas", dos esportes radicais às roupas extravagantes, até mesmo aos casamentos apressados ante gravidezes "acidentais" são evidências claras de que o projeto Cristão de ontem caiu na vala rasa da retórica vazia.

Não são poucos líderes do passado que censuravam sistematicamente as festinhas sociais e os bem-aquinhoados que tiravam férias todo ano e possuíam mais de um carro zero, etc. Em verdade, esses críticos de ocasião estavam escamoteando suas frustrações, projetando nesses comentários amargos o suporte para suas "verdades" particulares. Por ironia, hoje não só estão mergulhados nas festinhas sociais como também vivem o luxo e abominam a simplicidade cristã. Esqueceram velhas amizades, na suposição de que status social vai trazer conforto na hora da dor, da doença e da desencarnação!!!

Nesse contexto, longe de nos posicionarmos como senhores da verdade. Incorreríamos no mesmo refrão do passado. Muito menos vaticinarmos o infortúnio desses companheiros de atitudes sensatas. Até porque estamos convictos de que somente as leis de Deus são indefectíveis e como tais - a cada um é dado conforme as obras.

Por fim, queremos enfatizar que interpretar os ensinamentos de Cristo se exige muito mais que palavras brilhantes. Muitas circunstâncias pedem que levantemos os joelhos sangrando e que suportemos os corações dilacerados, para compreender os pérfidos deslizes humanos. Diante disso, é imperioso que continuemos a acreditar no bem, fortalecendo o ideal superior, certos de que ao "julgarmos seremos julgados e na dimensão com que medirmos, seremos medidos nas proporções equivalentes" - advertiu Jesus há dois mil anos.

Maria Eleusa de Castro Hessen
E-Mail: eleusa_hessen@yahoo.com.br
Site: http://jorgehessen.net

sábado, 20 de setembro de 2008

CONSEQUÊNCIAS DO FUMO


Atualmente, é fato consumado que "mais de 80% das empresas evitam contratar trabalhadores tabagistas." (1) Consoante pesquisa da Catho Online, "mais de 81% dos empregadores consultados declararam ter alguma restrição à contratação de fumantes. Entre 2000 e 2005, o índice de rejeição era de 77%, hoje, supera os 80%". (2) Isso tem uma explicação cristalina. As causas estão, principalmente, na saúde do fumante e das pessoas que convivem com ele. Ressalte-se que, além de a produtividade no trabalho ser prejudicada, os pulmões dos fumantes, e de quem estiver no mesmo ambiente que eles, ficam expostos à, pelo menos, 43 substâncias comprovadamente cancerígenas. Estudos recentes, realizados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), apontam que, "pelo menos, 2.655 não-fumantes morrem a cada ano no Brasil, por doenças provocadas pelo tabagismo passivo". (3) Isso equivale a sete mortes por dia, o que podemos afirmar que o tabagismo passivo mata mesmo!!

Na contramão desses argumentos, das campanhas do Ministério da Saúde e das decisões de diversas prefeituras e governos estaduais, restringindo o fumo em lugares públicos, o Presidente Luiz Inácio da Silva, recentemente, fez apologia ao uso do cigarro em qualquer lugar. "(4) Ao ser questionado por jornalistas sobre outro decreto, que proíbe o fumo no Palácio do Planalto, o presidente lançou a pérola: "Menos na minha sala" (!?). (5) De fato, as normas legais [Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996, e o Decreto n.º 2.018, de 1996], proíbem o uso de cigarro ou qualquer outro produto do gênero em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada, exclusivamente, a esse fim, "devidamente isolada ou com arejamento conveniente". Na prática, como observamos, essas normas não são cumpridas no Palácio do Planalto.

O coordenador do ambulatório de tabagismo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, Montezuma Pereira, identificou dois equívocos no tresloucado arroubo presidencial. O médico disse que é uma desconsideração ao perigo do fumo passivo e, o outro, desobediência à lei. (6) Segundo cremos, é uma brutal impiedade às vítimas do tabagismo, um chefe de estado defender o hábito de fumar em qualquer lugar.

Todo fumante, seja ele um servidor público ou um trabalhador da iniciativa privada, consome, em média, dez cigarros por dia e isso representa um tempo desperdiçado, ocioso, um ato inábil, em que o dinheiro, público ou privado, é jogado no ralo. O cigarro carrega ainda uma imagem negativa que as empresas e os órgãos públicos precisam evitar. Não sem razão, os fumantes estão sendo submetidos a restrições cada vez mais intensas, e que tendem a aumentar no futuro. Aliás, não poderia ser de outra maneira. Devemos pautar as nossas atitudes e as nossas regras de conduta, na sociedade, pelos resultados de pesquisas científicas bem conduzidas. Gostem ou não os fumantes, o século XX testemunhou as importantes descobertas sobre os malefícios do fumo para a saúde. Graças ao aprimoramento das técnicas de investigação epidemiológica, muito se sabe sobre o assunto. Há oito anos (em 2000), um Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), considerou o tabagismo a maior pandemia de todos os tempos.

A nicotina, de alguma forma, ainda não compreendida pela medicina, abre certas "portas" no sistema nervoso, que ficam escancaradas para sempre. Um pouco de droga, que volte a passar por elas, e a dependência se reinstala. "Só não provoca mais liberação de dopamina que a cocaína e as anfetaminas. O uso dessas drogas deixa a pessoa feliz e a torna escrava do prazer" (7) A explicação corrente é que a nicotina, para agir no cérebro, e provocar sensação de "bem-estar", imita a ação da acetilcolina. Como moléculas usurpadoras, a nicotina se encaixa nos receptores cerebrais que, estimulados, produzem mais neurotransmissores (dopamina), que regulam a sensação de prazer. Quando o estímulo de produção dopamínica é interrompido por alguns instantes, o sistema nervoso central se desequilibra e o fumante acende o próximo cigarro. É o momento em que a nicotina se encaixa, novamente, nos receptores cerebrais, recomeçando o ciclo.

Seja qual for a causa primeira do vício do tabaco, como, por exemplo: curiosidade; propagandas televisivas vinculadas ao modismo; insegurança psicoemocional; idéia equivocada de quem intenta emagrecer; ou por hábitos de determinadas culturas, gera um condicionamento psíquico, sedimentado, por causa da maneira sutil com que atua no organismo, minando as energias psicofísicas daquele que a esse vício se entrega.

Ante a lupa Espírita, sabe-se que a mediunidade não gera, por si só, o hábito vicioso, mas o médium que fuma está, inevitavelmente, sob uma influência obsessiva (transforma-se numa piteira humana dos fumantes desencarnados que, a cada tragada, sorvem suas baforadas quentinhas). "Não se sabe o que tem causado maior dano aos espíritas: se as obsessões espetaculares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas "meio-obsessões" de "quase-obsidiados", despercebidas, contudo bem mais freqüentes, "que minam as energias não só de uma criatura incauta, mas influenciam o roteiro de legiões de outras." (8)

O tabagismo atormenta os desencarnados viciados que se angustiam ante a vontade de fumar irresistivelmente potencializada. O grave da situação é a inexistência de indústrias de tabacos e cigarros na Erraticidade para "abastecer" desencarnados fumantes. "Em face disso, estes tabagistas do Além, para materializarem suas tragadinhas, tornam-se protagonistas da subjugação, transformando-se em artífices da vampirização sobre os encarnados tíbios de vontade, que ainda se locupletam nas deletérias baforadas do malcheiroso cigarro" (9), como citamos acima.

O tabagista recebe da Doutrina Espírita, além de informações fornecidas pela medicina tradicional quanto aos malefícios gerados pelo fumo, o alerta contra as obsessões e as desastrosas conseqüências na estrutura sutil do perispírito, fator este a exigir atenções especiais e procedimentos profundos na mentalização do fumante. Os Espíritos Superiores também classificam o tabagismo como um grande obstáculo para as tarefas mediúnicas. Sendo um gerador de patologias graves e de dependências, merece do médium uma batalha sem trégua. Porém, a tarefa de descontaminação nicotínica deverá ocorrer sem violentação da consciência, lembrando que, somente, ajudando-se com firmeza é que o médium tabagista se livrará do vício, lembrando, porém, que a solução não "cairá do céu", apesar do céu. (como fonte de energias do bem).

Como se observa, para abandonar o vício de fumar é preciso que o médium readquira o poder da vontade que se estiolou diante da prepotência, do autoritarismo da nicotina e seus sequazes. O médium viciado é aquele que perde o comando da própria vontade. Considerando que as mentes no além-túmulo não se desvinculam com facilidade deste foco, que alimenta seus desregramentos de fumante terreno, é fundamental que o esforço para a libertação do vício comece por aqui, na atual reencarnação, e o quanto antes melhor!.

Diante do exposto, compete-nos ajudar nossos irmãos e irmãs (sobretudo médiuns), que se encontram sob o jugo do vício do tabaco, a se livrarem desta forma sutil de mergulhar num tipo de suicídio inconsciente.


Jorge Hessen
E-Mail: jorgehessen@gmail.com
Site: http://jorgehessen.net

FONTES:
(1)Segundo dados colhidos num trabalho sobre saúde, da jornalista Magaly Sônia Gonzales, publicado na revista "Isto É", de julho de 2000, "o vício do fumo foi adquirido pelos espanhóis, junto aos índios da América Central, que o encontraram nas adjacências de Tobaco, província de Yucatán. Um dos primeiros a cultivar o tabaco na Europa foi o Monsenhor Nicot, embaixador da França, em Portugal, de onde se derivou o nome nicotina, dado à principal toxina nele contida.
(2) disponível em acesso em 12/06/2008
(3) disponível em acesso em 10/09/2008
(4) Disponível em acesso em 11/09/2008
(5) Um estudo realizado em 1993 pela Agência para Proteção do Meio ambiente (EPA, em inglês) concluiu que a fumaça de cigarro no ambiente é um carcinógeno do Grupo A, o mais perigoso. A EPA ainda afirma que a inalação passiva da fumaça de cigarro é responsável pelo câncer de pulmão que mata 3.000 pessoas todo o ano nos Estados Unidos.
(6) Disponível em acesso em 11/09/2008
(7) disponível em acesso em 10/09/2008
(8) Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Estude E Viva, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: ed.FEB, 2001
(9) disponível em acesso em 11/09/2008